Embotamento afectivo / bloqueio emocional - não conseguir sentir nem dar resposta ao afecto de sua própria filha devido a depressão



Irene:  Drª Mônica, este assunto ainda ñ encontrei em nenhuma pesquisa. Foi ótimo saber que agora podemos contar com sua ajuda para vários assuntos. Minha filha de 34 anos ja foi casada e teve uma filha que está com 9 anos. quando ela tinha 3 anos houve a separação pelo adultério de seu pai. até aí são coisas comuns nos dias de hoje, porém o que não entendo, é porque minha filha, que era uma mãe amorosa, atenciosa e tinha prazer em ver sua filhinha bem alimentada, bem vestida, perdeu todo a dedicação que tinha e a impressão que dá, é de que tem aversão pelo carinho dela, que é super carinhosa e atenciosa com a mãe. Ñ sou só eu quem nota. Se ela está assistindo algo na tv, a menina senta ao lado dela carente de um abraço, mas ela fica estática, como se nem estivesse enxergando a filha. Com certeza isso ñ é atitude saudável. Poderia dar-me algum parecer, algum conselho?
Obrigada e parabéns pelo site!
 

Dra. Mónica: Cara Irene! Obrigada novamente pelo seu contacto. Pois, este já é o segundo contacto que tenho da sua parte e, mais uma vez, este é outro excelente assunto com o qual colabora em "Dra. Mónica responde...".

Mas quanto ao descuido que a sua filha pode ter passado a ter pela sua prória filha pode ter a ver com a projecção da raiva e revolta que ela sente pelo ex-marido e pelo facto de ele a ter traído e enganado. É como que se a filha dela fosse uma continuação do seu ex-marido por ser filha dele. Provavelmente, ela desleixa o cuidado que tem para com a filha por abandono. Já que ela foi abandonada, também abandona agora. E há que ver se ela exerce esse abandono somente para com a sua filha ou para com tudo, para com a sua própria vida. Se fôr apenas com a filha, ficamos na teoria da projecção da raiva e da revolta. Se fôr para com tudo da sua vida, aí pode-se suspeitar, não apenas da projecção da raiva e revolta; mas talvez possa haver indícios de a sua filha estar a sofrer de depressão, provavelmente pelo abandono que ela possa sentir inerente à traição do seu ex-marido. Da mesma forma, a aversão que ela possa sentir pelo carinho da menina pode ser entendido como a aversão e a repulsa que ela sentiria por uma aproximação do seu ex-marido. Nada disto será consciente. Provavelmente, a sua filha nem nunca pensou porque é que reage assim. Hipoteticamente e sempre a nível do inconsciente, é como que se, pelo facto de a menina ser filha do homem que a traíu e a rejeitou, é como que se levasse as culpas e as consequências agora, já que a sua filha não pode ou não tem possibilidade de as dirigir para quem realmente sente toda essa raiva, revolta e aversão. Neste caso, poderia ser muito bom, ela "despejar" todos esses sentimentos aversivos que tem para com o ex-marido, mas dirigindo-os a ele. Provavelmente, ela nunca disse ao ex-marido como se tinha sentido pelo facto de ele a ter traído. Pode ser bom que o faça.

É muito natural que a menina sinta a falta de atenção e de carinho por parte da mãe e que os solicite. São estes, factores muuuuuuuito importantes para o desenvolvimento emocional e afectivo da criança e para que ela cresça emocionalmente saudável e que não desenvolva mais tarde patologia. Porém, a atitude da sua filha é comprensivel. Provavelmente, ela não se sente capaz neste momento de demonstrar algum tipo de afecto positivo. Pode ter havido um embotamento afectivo. Ou seja, é como que se fosse tipo uma paralização dos sentimentos em geral e, sobretudo, dos positivos, como consequência da traição. Agora é como que se não sentisse nada. Ou seja, é tipo uma defesa do nosso funcionamento emocional e afectivo. Ou seja, deixa-se de sentir as coisas más para não se voltar a sofrer como dantes (neste caso de quando foi traída),; mas também não se sente as coisas boas, como o afecto da filha. Deixa-se de se sentir tudo. Esta defesa aparece porque o sofrimento que se sentiu antes pode ter sido sentido como tão grande e intenso, levando a que a própria pessoa tenha-o sentido como que insuportável e tendo-se sentido completamente incapaz de lidar e resolver todo esse sofrimento. Portanto, o inconsciente trata de "armar uma armadura" e bloquear todos os sentimentos. E aí, deixa-se de se sentir e de responder aos sentimentos dos outros.

CONSELHOS:

1) Poderia ser bom se a sua filha pudesse dirigir a raiva e revolta que sente pelo seu ex-marido justamente para ele, dizendo exactamente o que sente. Provavelmente, não seria uma situação agradável por poder haver discussão e insultos de ambas as partes.

2) A menina precisa de toda a atenção e do carinho da parte dos outros, já que a mãe parece estar incapaz de cumprir esse papel. Claro que a atenção dos avós, tios, familiares e amigos da família não substitui de forma alguma a atenção materna; mas sempre pode atenuar um pouco a falta de atenção e carinho sentidos pela menina.

3) E seria muito fundamental, a sua filha recorrer ao apoio de um Psicólogo e fazer uma Psicoterapia para trabalhar todas essas questões emocionais, para que o inconsciente possa deixar novamente os sentimentos e emoções fluirem. Sem esse trabalho psicoterapêutico, mesmo que a sua filha dirija toda a raiva e revolta para com o seu ex-marido, pode acontecer que as coisas não tenham chegado a ser bem resolvidas e que o inconsciente numa outra situação qualquer de sofrimento proceda da mesma forma e volte tudo ao mesmo.

Irene, deixo-lhe aqui uma possível explicação para o problema que a sua filha possa estar a passar e algumas dicas para o atenuar. Espero que tenha sido de grande ajuda.

Atenciosamente,

Mónica de Sousa
Psicólga Clínica


Irene: Obrigada Drª Mônica por responder prontamente meu e-mail, me esclareceu por completo e agora sei que direção tomar. Que as bênçãos de Deus sejam derramadas em abundância sobre sua família e seu maravilhoso trabalho.
A segunda opção é que está acontecendo com minha filha. Depressão, pois ela se alienou de tudo mesmo. Quando cheguei aqui, pois estava em outra cidade cuidando de meu irmão, ela estava na situação de "fundo do poço", tendo até pensamentos de suicídio. Sou de uma denominação evangélica e creio muito no poder da oração e a pedido dela, trouxe uma pessoa em quem ela confia para orar com ela, foi onde confessou seu pensamento suicida. A partir daí tenho orado muito por ela e sua vida profissional teve uma mudança considerável e ela se entregou de 'corpo e alma', que não reserva tempo nem para ela própria, o que denota que a depressão realmente está reprimida e precisa ser tratada.

Mais uma vez só tenho a lhe agradecer, admirar seu trabalho e incentivar para que cresça mais e mais a fim de ajudar quem precisa, assim como me ajudou.

Abraço.
Irene. 

 
Dra. Mónica: Obrigado, Irene pela sua resposta e pelos seus votos. Quanto à sua filha; na minha opinião, neste momento, ela precisa com urgência de trabalho psicoterapêutico, ajudado também pelas oraçãos, a fim que ela reencontre o equilíbrio com a sua própria vida e na relação com sua própria filhinha.

Atenciosamente,

Mónica de Sousa

 

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Dra. Mónica de Sousa
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