Saiba qual o momento certo para uma criança ter o primeiro telemóvel

Artigo escrito pela jornalista Sara Queirós, com a colaboração da Dra. Mónica de Sousa, no Jornal I, na edição de 26 de Dezembro de 2014



Mesmo que uma criança já saiba mexer num telemóvel, ter o seu é diferente. Mais crucial do que o momento para o dar, são as regras a impor

O pedido pode vir das crianças ou pode ser uma decisão dos pais. Seja qual for a circunstância, antes de decidir entregar o primeiro telemóvel ao seu filho, há muitas questões a que deve saber responder. Se não estiver preparado, é muito fácil que as coisas fujam  de controlo.

Muitas vezes o primeiro telemóvel serve para que pais e filhos se sintam seguros quando estão separados. É por isso que a psicóloga Mónica de Sousa defende que o momento certo para uma criança passar a ter telemóvel é quando deixa de estar sempre acompanhada por um adulto – como quando começa a ir sozinha para a escola. Um telemóvel deve vir acompanhado de uma necessidade, algo que uma criança pequena não tem porque quando está longe dos pais, tem outro adulto por perto. Mesmo quando os pais estão separados, devem optar por falar com o filho através do telefone do outro progenitor, defende Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra.

Por outro lado, quando se fala de adolescentes receber o primeiro telemóvel muito tarde pode levá-los a sentirem-se de parte, numa fase da vida em que estar-se integrado num grupo é tudo.

A altura é importante, mas os especialistas concordam que as regras são fulcrais. Tem de se ensinar a usar, pois, como alerta Rita Jonet, psicóloga infantil, “estamos quase a pôr uma bomba nas mãos das crianças”. Mal usado pode causar enormes desatenções, ansiedade e desassossego, e um estado de excitação em que a criança não consegue estar nas aulas, por exemplo.

As condições que os pais podem impor vão ajudar a evitar consequências como  não saber esperar e aprender a adiar o primeiro impulso. Para Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra, sem elas, o telemóvel vai-se tornar ansiolítico. Por exemplo, as crianças podem falar aos pais cada vez que se sentem nervosas ou frustradas, e assim não aprenderão a lidar com estes sentimentos. A relação saudável ou mais obsessiva que os pais têm com as tecnologias será um exemplo para os mais pequenos.

Combater o vício:
Miúdos sem limitações no uso podem ficar viciados no telemóvel. Se isto acontecer, como se pode reeducar? Para a psicóloga infantil Rita Jonet, a resposta ideal não passa por tirar completamente o telefone. É preciso controlar, supervisionar doses de uso, e mostrar que só com autocontrolo aquele pode ser um objecto valioso – mostrar que são “eles que mandam nas máquinas e não o contrário”. O essencial é ser rígido para que as crianças possam aprender o autocontrolo.

Se a intervenção dos pais não for suficiente, então será importante pedir ajuda a um especialista para perceber a razão que leva ao vício do telemóvel e que poderá estar ligado a motivos como não gostar da escola ou não saber lidar com a frustração e a ansiedade.

O essencial é atacar nesse primeiro, explica Rita Jonet: vícios mais graves, que podem surgir ao longo da vida, têm também raiz na falta de controlo. A capacidade de adiar a gratificação, acredita,  deve ser treinada desde cedo para que mais tarde, ao crescerem, sejam capazes de dizer não a si próprios, tornando-se em adultos capazes de alcançar objectivos.

Proteger expondo:
O primeiro telemóvel abre um mundo de possibilidades: o jovem passa a estar ligado ao mundo. O recurso à internet terá as mesmas potencialidades e perigos de um computador, com a vantagem (ou desvantagem) de o utilizador ter mais privacidade e estar sempre contactável. Estes motivos levam a que seja preciso um aumento da vigia dos pais e, para isso, existem no mercado várias aplicações.

Mesmo com todos o perigos associados, a psicóloga Mónica de Sousa defende que querer proteger as crianças não deve ser razão para não lhes dar o telemóvel. Relembra que é impossível colocá-los numa redoma e que o mais importante é ensinar-lhes os perigos que correm e quais as melhores formas de se protegerem e se defenderem para que não estejam indefesos.

 

Contactos e inscrições:
Dra. Mónica de Sousa
Telemóvel: 91 907 11 22
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