Raptos e Pedofilia: como proteger os seus filhos sem os 'sufocar'

Artigo publicado na revista Men's Health de Agosto de 2007



Certamente que está consciente das últimas notícias e de um dos temas mais levados para os debates televisivos actuais. “Onde está Madeleine?”. Já agora, interroguemo-nos também: onde estarão as 11 crianças portuguesas que também “desapareceram”? Onze, pelo menos, é do que se fala, faltando aquelas que não entraram nas estatísticas nacionais. E o seu filho? Onde poderá estar exactamente neste momento? Em que situações é que ele costuma ficar sozinho? E no caminho para a escola, vai só? Suponho que estas são apenas algumas das questões que podem ter passado pela sua mente, algumas vezes, ao longo destas últimas semanas. Provavelmente, também já “andou às voltas” a magicar se o seu filho está em segurança, ou se corre riscos de poder vir a ser mais um número das estatísticas! O que fazer para salvaguardar a sua integridade e o seu bem-estar? Como protegê-lo, mas sem o “sufocar”? Veja algumas sugestões para promover a segurança do seu filho, sem lhe tirar completamente a sua autonomia.

Por volta dos 2 anos de idade, a criança começa a procurar uma certa autonomia (que é muito relativa, é claro!) face às figuras paternas. Por outras palavras, digamos que começa a afastar-se um pouco mais dos pais: vai uns passinhos mais à frente, dá uma corridinha, vai além para ver o que está por detrás daquela porta, começa a correr pelos corredores dos supermercados, etc. É também por volta dessa idade que se inicia a fase do “NÃO”, passando a ser uma palavra predilecta e proferida quase que aleatoriamente. Isto, no âmbito da criança querer afirmar a sua própria vontade. Portanto, apesar de muitas pessoas pensarem o contrário, esta autonomização faz parte de um bom desenvolvimento emocional das crianças. Sem ela, a criança torna-se desconfiada, medrosa e não adquire a confiança em si mesma. Já para não falar nas prováveis consequências já na fase de adulto. Provavelmente, será muito desconfiado e inseguro, incapaz de decidir e fazer escolhas, terá medo de falhar em qualquer situação… Digamos que há mais probabilidades de se tornar num adulto incapaz de ser autónomo.

Portanto, não é muito aconselhável “amarrar” os nossos filhos e dar-lhes “rédeas” demasiado curtas. Porém, se os deixarmos completamente à solta, vamos estar sempre com o estômago bem apertado a pensar onde é que eles estarão, o que estarão a fazer e, pior ainda, com quem estarão? Então, como é que pode/deve proteger os seus filhos, sem os sufocar?

Com os mais pequenos é bom estarmos sempre com “um olho em cima”, mas deixemo-los afastarem-se um pouco e “matarem” a curiosidade ao ver o que está por detrás daquela porta. Com os mais crescidos, mais ou menos a partir da altura em que começam a ir para a escola sozinhos, desde o momento em que podem/conseguem fazer um recado sozinhos ou começam a ir brincar para o jardim com os amigos, nessa fase é bom alertarmo-los para um potencial perigo ou ameaça. Deve-se mesmo explicar-lhes que existem raptos de crianças e que há pessoas com más intenções, ainda que de maneira subtil. Ou seja, também se deve explicar que nem todas as pessoas são más e que nem toda a gente lhes vai fazer mal. Não se deve utilizar essas explicações para impedir que os “pestinhas” se portem mal, tal como o pretexto de: “se te portas mal, vem o homem do saco e leva-te”. Este tipo de ameaças só os vão aterrorizar e inibir todos os seus comportamentos: os maus, mas também os bons. A criança fica com medo de poder fazer mal determinada coisa e de, por isso, ser levada pelo “homem do saco”, deixando de agir e de fazer coisas próprias da sua idade que são necessárias para o seu bom desenvolvimento emocional.

O mais importante é potenciar os nossos filhos com a capacidade de se defenderem e, sobretudo, de evitarem o perigo, de modo a minimizarem as probabilidades de lhes acontecer algo de mau. Assim, estamos a dar-lhes capacidades para algo e não a tirar-lhes, tal como aconteceria se os quiséssemos manter imunes a qualquer perigo do exterior.

De uma forma sucinta, podemos dizer que todas as crianças devem crescer em segurança, mas sem que lhes seja roubada a sua autonomia e/ou auto-confiança. Não a incapacite e não a apavore. Explique-lhe, aconselhe-a e fortaleça-a, ensinando-a a defender-se e a prevenir. Eis algumas sugestões para “fortalecer” os seus filhos:

1- Não lhes “esconda” a realidade. Fale-lhes dos potenciais perigos, responda às suas questões e tire-lhes as suas dúvidas;

2- Fale do cuidado que deverão ter no contacto com pessoas estranhas. Ofertas de guloseimas, promessas e convites feitos por estranhos devem ser completamente rejeitados;

3- Ensine os seus filhos a dizer NÃO. Qualquer insistência por parte de alguém de quem não gostam, de quem não confiam ou, mesmo, de quem não conhecem deve ser expressamente recusada. Ninguém deve fazer nada contra sua vontade e, sobretudo, uma criança;

4- Diga-lhes que, por vezes, pode ser necessário recorrer à ajuda de um adulto para evitar que um outro lhes possa fazer mal. O pedido de ajuda torna-se necessário quando a criança se percepciona como incapaz de afastar algo ou alguém que vê como perigo ou ameaça;

5- Explique-lhes a importância de abandonar locais onde não se sintam “confortáveis”, onde se apercebam que há alguém não desejado a rondar outras crianças;

6- E diga-lhes que, no caso de lhes poder acontecer algum mal, não precisam de ter vergonha ou de se sentirem mal pelo que aconteceu, dizendo que as crianças nunca têm culpa. Devem, portanto, denunciar “quem foi” junto dos pais e contar o que aconteceu, para que se possa tomar medidas para punir o agressor e, sobretudo, para poder prevenir que algo de semelhante possa novamente acontecer.

Mónica de Sousa
(Psicóloga Clínica e da Saúde)

 

Contactos e informações:

Dra. Mónica de Sousa
Telemóvel: 91 907 11 22
Contacte por Email clicando aqui

 


SUGERIMOS AINDA QUE VEJA
artigos nesta categoria

A arte de seduzir sem enganar
A arte de seduzir sem enganar

Artigo publicado na revista Men's Health de Julho de 2008

Imagine! Prepara-se para o tal encontro. Quer que seja brilhante. (ler mais)

ò papá, de onde vêm os bebés?
ò papá, de onde vêm os bebés?

Artigo publicado na revista Men's Health de Novembro de 2006

Aqui estão as respostas ideais para as perguntas mais estranhas e inquietantes sobre sexo com que os (ler mais)

Um homem também chora quando assim tem de ser
Um homem também chora quando assim tem de ser

Artigo publicado na revista Men's Health de Março de 2006

Quantas vezes já se viu perante situações em que teve de conter as lágrimas para não parecer lamecha (ler mais)


Inscreva-se na Newsletter

Email:
Confirmação - Escreva o seguinte número: 2137




Envie-nos a sua mensagem

Nome:
Email:

Telefone (opcional mas também importante)
Confirmação - Escreva o seguinte número: 2137

Mensagem