Homossexualidade: aflição de mãe perante comportamentos de seu filho



Marisa:  Estou completamente desesperada. Vou contar toda a história para que o senhor possa entender melhor e se possível me ajudar através de conselhos e uma palavra de conforto.
Tenho um filho maravilhoso de 09 anos. Quanto ele tinha uns 05 anos, a tia o viu pelado fazendo gestos obsenos com um primo de 03 anos. Quando fiquei sabendo, briquei com ele, castiguei, repeendi de todas as formas. Depois nunca mais tivemos o conhecimento que ele tenha feito isso novamente. Ele tem uma prima da mesma idade que ja tem a cabecinha bem mais avançada que ele sobre a questão de sexo. Ela já mostrou até um filme porno para ele. Eu o poribi de ir para a casa dela e ficarem sem um adulto por perto.

Eu e ele temos um relacionamento bem aberto, ele sempre me conta tudo que acontece com ele.
Desde de terça feira ele tem ficado em casa sozinho pela manhã. Antes a vo cuidava dele, agora ela não cuida mais por que anda muito doente. Como não tenho com quem deixa-lo para trabalhar, resolvi deixa-lo sozinho pela manha e a tarde ele vai para a escola no transporte escolar. Como disse, quando cheguei em casa ontem, senti ele meio diferente. Mas não perguntei nada. Quando todos foram dormir (meu marido e minha filha), ele começou me fazer algumas perguntas, tipo: Mãe, seu dia hoje foi bom? Vc estava feliz hoje? Eu sempre respondendo que sim, porém, aproveitei para perguntar por que?, vc não estava feliz? eu só fico feliz se vc estiver feliz? Ele disse que não estava muito feliz, que queria me contar uma coisa muito séria, só que estava com medo que eu brigasse com ele, ou que contasse para alguém. O prometi que não contaria para ninguem e que tb não iria brigar com ele, que dependendo do que fosse, eu só iria conversar com ele. El continou, dizendo que era tão feio que ele nem sabia por onde começar, eu disse, do começo mesmo.
Foi quando ele me disse que logo que ele retornou da escola, o coleguinha viznho de 05 anos foi la pra casa e os dois ficaram sozinhos, o coleguinha o pediu que ele abaixasse a bermuda e que virasse o bumbum para ele tentar colocar o piupiu dele. Meu filho disse que o coleguinha chegou a encostar, mais que não chegou a introduzir o penis não. Loog em seguida minha filha chegou e os flagrou. Ela disse que não contaria para ninguem, mas se caso voltasse a acontecer ela disse que contaria para mim e para o pai.
Dr. quando ele me contou tudo isso, meu chão sumiu, pensei que eu ia da um troço, no entando, como eu tinha dito que não iria brigar e nem contar pra ninguem tive que cumprir com minha palavra. Conversei muito com ele, demonstrei o quando eu estava magoada com ele, falei que isso não é certo, que é feio, que quem faz essas coisas são gays. Ele chorou, me abraçou, disse que não vai mais fazer isso, me prometeu. Eu sempre passo para ele que confio muito nele. Disse também que eu estava muito satisfeita em saber atraves dele, por ele mesmo ter tido a confiança em mim e ter me contado tudo.No entanto Dr. eu estou muito preocupada. Penso em tantas coisas.
Será que isso é normal na idade deles? ou ja é um sinal de homossexualismo? Será que é pelo fato dele ter sofrido uma mudança brusca na vidinha dele (digo, antes ele ficava sempre com a vo durante o dia, e agora ele esta ficando sozinho na parte da manha e um pouco depois que chega da escola, pois logo em seguida minha filha chega da faculdade). Dr. ele não é nenhum pouco afeminado, nada nada mesmo. Pelo contrário, ele é bem marrento, só gosta de brincadeiras de homens, tipo futebol, jogos de luta de video game, não tem medo de muitas coisas. Na escola ele me diz que é o chefe dos coleguinhas. Se fosse, eu falaria aqui para o senhor. El já diz que esta gostando de uma coleguinha e ela diz que vai casar com ele.
Antes dele dormir, fiquei até mais tarde com ele na cama dele, aproveitei para frizar que não quero que ele faça mais isso, que ele fiquei mais sozinho com o coleguinha, que isso não é certo, que é pecado, que Deus não permiti, e que eu estava muito magoada, e que eu vou continuar o amando da mesma forma, mas que a partir de hoje a gente iria esquecer tudo isso, eu não tocaria mais nesse assunto com ele, só que ele tinha que me prometer que realmente tinha me entendido. Fiz certo DR?

Ele é um filho super carinhoso comigo, e eu tento ser uma mãe maravilhosa para ele. Conversamos muito, nos falamos o dia inteiro. Tento corrigi-lo sempre que necessário conversando muito com ele. Explicando o que é certo e errado.
Agora não sei o que fazer, como agir diante um acontecimento desses, graças a Deus consegui me segurar e pensar antes de brigar feio com ele, e demonstrar todo o meu horror com essa situação.
Peço que me oriente, me explique o que pode estar acontecendo com meu filhote, ou se é só uma fase da idade. Ou se preciso ver o que eu posso estar fazedno de errado com ele. Como prometi a ele que não contaria a ninguem, não vou falar nada com o pai, pois ele é meio bruto e vai querer bater nele, então prefiro tentar contornar a situação entre meus filhos e eu.
Por favor Dr. me responda essas perguntas, me diga se o senhor tem conhecimento de familia que tenha passado por isso. e o que elas fizeram.
Muito obrigada.
Desculpa o desabafo, é que não sei por onde começar.
Fica com Deus e muito obrigada.


Dra. Mónica: Cara Marisa! Bem haja pela coragem que teve em expôr o seu caso e em pedir ajuda. E muitos parabéns por "não ter perdido a cabeça" quando o seu filho lhe contou o que se tinha sucedido com ele e o vizinho. De facto, é notório que o seu filho está numa fase de exploração da sexualidade e da percepção da mesma. De facto, esta pode ser uma fase de transição, uma fase passageira. Porém, há indícios de poder haver uma homossexualidade latente. Latente, porque é algo que ainda não está definido, também pela idade do seu filho. A Marisa disse que ele tem brincadeiras e gostos muito próprios de rapazes. Isso tem a ver com a identidade de género. Ou seja, ele identifica-se com os outros rapazes, identifica-se como homem. Mas, isso não tem a ver com o facto de ele gostar de raparigas ou de rapazes. O gostar de pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo tem a ver com a identidade sexual. Resumidamente, um rapaz que se identifique como homem (identidade de género) pode também gostar de pessoas do mesmo sexo (identidade sexual). Ambas as identidades são díspares e independentes. Ou seja, não é por se identificar como homem que se tem obrigatoriamente de gostar de mulheres.

A Marisa questiona-se se terá feito algo de errado para estes comportamentos do seu filho ou se ele se passou a comportar assim pelo facto de ter ficado sem a avó por perto e sem que ela cuide dele. Não para ambas as perguntas. Os pais não têm sempre a culpa de tudo. Nem têm que ter sempre o controlo em tudo o que os filhos fazem, do que eles gostam ou das decisões que tomam. À medida que crescem e que se desenvolvem ficam cada vez mais autónomos e com a sua própria persenalidade definida. Nem sempre os pais podem evitar algo nos filhos de que não gostam. Eles são pessoas diferentes dos pais, apesar da educação que lhes deram. Os filhos não são um prolongamento dos pais ou daquilo que os pais gostariam que os filhos fossem. Em relação ao facto de a avó ter deixado de ficar com o seu filho e tomar conta dele, não é uma situação trágica que vá desencadear comportamentos inadaptados. O que pode ser é que o seu filho ficou sem um adulto por perto; portanto, ficou com toda a liberdade para as suas descobertas, sem um adulto por perto para o recriminar. Descobertas estas que se não começassem agora pelo facto de a avó não estar com ele o dia todo, começariam um pouco mais tarde numa outra oportunidade.

Porém, Marisa, porquê é que será que a possibilidade de uma homossexualidade no seu filho a choca tanto? A deixa tão intrigada? Tão desesperada? Porquê é que a homossexualidade tem que ser pecado? Na maior parte dos países até já foi permitido a casamento entre pessoas do mesmo género e tudo. E eles não têm que ser mais infelizes do que um casal heterossexual.

O facto de reprimir uma possível homossexualidade no seu filho, levará de certeza, a que ele se sinta inseguro, incompreendido e com sentimentos de que não pode confiar nas suas próprias necessidades e nas suas preferências. Será, por certo, sentimentos reprimidos pela culpa e pela vergonha de mostrar quem realmente é. Há muitos homens adultos casados (com mulheres) e pais de filhos que, durante toda a sua vida, oprimiram a sua homossexualidade. Às vezes, eles próprios nem sequer pensavam em admitir para eles próprios a possibilidade de poderem gostar de outros homes. E, de repente, por qualquer razão, no meio do seu casamento, largaram tudo para se juntarem com outro homem por quem se tinham apaixonado.

O melhor caminho é sempre o da aceitação. Aceite o seu filho tal como ele é. Mostre-se disponivel para perceber o porquê dos seus comportamentos. Pergunte-lhe o porquê. Em vez de lhe dar um grande sermão, mostre-se disponível para ouvir o seu filho, o que ele tem para dizer, as suas dúvidas e receios, aquilo que ele sente. Não critique, não reprove e tenha sempre em mente que o seu filho é aquilo que é e nunca será aquilo que os pais querem que ele seja.

Agora, ele apenas tem 9 aninhos, o seu amiguinho apenas tem 5 anos. De facto, são ambos muito novos para qualquer tipo de relação sexual, quer homo quer heterossexual. Pode pensar em começar a explicar-lhe já as questões inerentes à sexualidade; mas se não quer que ele se inicie já, terá que evitar que ele fique sózinho com outros miúdos, algo que não pode impedir para sempre.

Em relação a si, Marisa e aos seus medos, proponho que a Marisa procure o apoio de um psicólogo, que procure esclarecer-se com ele e a trabalhar todos os seus receios. Seria muito bom para si, para o seu filho e para a vossa relação de mãe e filho. Não perca a confiança que o seu filho ainda deposita em si.

Para qualquer esclarecimento, pode contactar-me para o (+351) 91 907 11 22.

Atenciosamente,

Mónica de Sousa
(Psicóloga Clínica)  

Marisa: Dra. Mônica, muito obrigada pelos esclarecimentos.
Quanto ao preconceito, digo de todo coração. Não o tenho, caso o meu filho futuramente optar em ser um homossexual, jamais deixarei de ama-lo. Me preocupo porque ainda há muito preconceito e mesmo eu o aceitando como ele é, o apoiando nas sua decisões, o mundo ainda é muito cruel e as pessoas são muito insensíveis, a ponto de menosprezar, humilhar outras que pensam e agem um pouco diferente do convencional.
Eu amo muito meu filhote, ele é a razão da minha vida, indenpendente de qual opção sexual dele. A minha preocupação é ele ter inicinado muito cedo, ele estar descobrindo esse mundo da sexualidade prematuramente.
O meu filhinho já faz terapia com uma psicóloga, porém, voltado somente para a escola.
 
Mais uma vez volto a agradecer.
 
Att;


Dra. Mónica: Cara Marisa! Em relação à crueldade do mundo, as pessoas podem agarrar qualquer coisinha para implicar com alguém. Provavelmente, daqui a uns aninhos a homossexualidade não será algo de tão minoritário assim. E o seu filho aprenderá a lidar com as diferenças, como todos nós. Isto, se vier a acontecer. Até lá, muita água há-de correr e isto poderá não passar apenas de uma experiência.

Muito bem-haja!

Mónica de Sousa
(Psicóloga Clínica)
 


Contactos e informações:

Dra. Mónica de Sousa
Telemóvel: 91 907 11 22
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