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Farto dela?! Como lidar com a saturação de uma relação amorosa sem magoar a sua parceira.

Artigo publicado na revista Men's Health de Dezembro de 2007

Incluído na categoria: Questões mais frequentes sobre Psicologia Clínica e da Saúde e sobre Psicoterapia

» Reforce a chama

Por vezes, todos nós passamos pela situação de não desejar continuar com uma relação amorosa. Há inúmeros factores que podem levar a isso. Mas os mais frequentes prendem-se com o terminar de uma fase da paixão e com o instalar da rotina e da monotonia da relação. Para quebrar com a rotina, puxe pela sua imaginação e dê asas à fantasia e à criatividade. Agora, quanto ao apagar-se a chama da paixão… nesse caso, a imaginação já não é tão fértil, o que é compreensível. Porém, passada a fase da paixão, não é obrigatório apagar-se tudo o resto. Pois, após esta fase pode chegar-se à fase do amor. Fase esta em que predomina a amizade, a cumplicidade e a confiança mútua. No entanto, para se poder progredir na relação amorosa, mesmo depois da chama apagar, há que ter em conta alguns critérios antes de se escolher a parceira, sobretudo, quando se procura uma relação tanto quanto séria. Não basta deixar-se envolver somente pela atracção física (sendo que também é bastante importante) e pelo desejo. Mas é bom que procure uma parceira que também tenha interesses e gostos em comum (pelo menos alguns), para que quando se acabar a paixão possa haver algo que ainda vos una e que permita com que a chama não se apague completamente.

 

Não caia na rotina

Mesmo nesta fase do amor, mesmo com interesses e gostos em comum e até mesmo com uma cumplicidade acima de tudo o mais… mesmo assim, todo o ser humano se pode fartar do outro e a rotina pode-se apoderar-se da relação. Só que tudo leva muito mais tempo. Anos!!! Mas há a agravante de se ter vivido mais tempo em comum, mais conflitos pelo meio, mais desentendimentos, mais desacordos. E mais momentos felizes também. Neste caso, a possibilidade para uma ruptura na relação é muito mais complicado. Por vezes, nem sequer se chega, nem se tem coragem para tal. No entanto, não é por isso que não há sofrimento, nem tristeza entre os membros do casal. E até, por vezes, se pode recorrer a comportamentos compensatórios que visam a busca da satisfação imediata e do prazer que não se tem já há algum tempo. É o caso de “dar uma raspadinha” ou de “se pular a cerca”. Comportamento este que pode ser até bastante gratificante para o elemento do casal que o pratica, mas bastante penoso e doloroso para o outro.

 

Termine com a angústia

Sendo assim, como lidar com a saturação de uma relação amorosa sem magoar a parceira? Vimos que “dar uma raspadinha”, mesmo que pense que pode ser muito engraçado – e dado que o fruto proibido é sempre o mais apetecido - não é a solução para um número sem fim de problemas conjugais. Mas a mera acomodação a uma rotina que já não se suporta e da qual já se está farto até à ponta dos cabelos também não é a solução adequada, correcto? Quando os conflitos, os desentendimentos e a “falta de espaço” são constantes e não se os consegue resolver, nem com o diálogo, nem com a procura de soluções alternativas, nem mesmo com a terapia conjugal ou familiar, o melhor mesmo poderá ser a separação do casal. Mas, como fazê-lo de forma a que não se dificulte as coisas ainda mais? Por vezes, deixar as coisas correr mesmo até à última pode fazer com que a saturação se torne em raiva e pequenos desentendimentos em grandes discussões. Deste modo, parece inteligente não se passar do tempo certo, ou seja, não se insistir no que já não tem solução. Agora vem a parte mais difícil: ambos os membros do casal estão na mesma situação de saturação, mas alguém tem que tomar a iniciativa e pôr os pontos nos “is”. E se decidir ser você a fazê-lo? Como fazê-lo? Eis algumas sugestões:

1- Não invente situações de conflito para ver se a sua parceira se farta e lhe poder passar a “batata quente”, isto é, para que seja ela a tomar a iniciativa da separação. Ela pode ficar com as “culpas”, mas você, pela certa, não vai ficar com a consciência tranquila. Não se faça de vítima;

2- “Pular a cerca” pode ser bastante gratificante e excitante até, mas será que lhe resolve os conflitos conjugais? Alivia-lhe a tensão emocional, a tristeza e a angustia? Talvez na altura. Então, e depois? Quando voltar para casa e estiver com a sua parceira? Provavelmente, só aumentará todo o distanciamento entre os dois e mais as dúvidas dela, as suas incertezas e um grande mal-estar que se gera. Não a engane, nem se engane a si próprio. Resolva primeiro os seus problemas, antes de partir para novas aventuras, as quais poderão também gerar mais e novos problemas;

3- Não lhe dê a entender por meias palavras que, para si, a vossa relação já terminou. Ela pode perceber a sua idéia muito bem, mas também é confrontada com outras mensagens que você pode deixar escapar inconscientemente e que revelam alguma dúvida, incerteza e até ambivalência. Já para não falar das dúvidas dela e de uma parte que ainda acredita que vale a pena continuar a tentar. Portanto, seja honesto e assertivo, sem ser rude e agressivo, mas também sem ser passivo;

4- Tente resolver todos os seus problemas, conflitos ou até mesmo a separação, de uma forma calma e tranquila. Não reivindique direitos nem exija obrigações. Tente chegar ao consenso e a uma negociação. Não se altere, não se irrite, não grite nem discuta. Fale, converse e dialogue. Verá que tudo será mais fácil assim.

Tudo tem um início e muito desse tudo pode também ter um fim. Não deixe que esse fim faça esquecer o início e todo o caminho que juntos percorreram. 
 

Mónica de Sousa
(Psicóloga Clínica e da Saúde)

 

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