Porquê é que um homem se casa?
Artigo apresentado à revista masculina Men's Health em Setembro de 2008
Incluído na categoria: Questões mais frequentes sobre Psicologia Clínica e da Saúde e sobre Psicoterapia
Se o leitor é daqueles homens que pensa em se casar (mesmo tendo as suas dúvidas), se tem um amigo que se vai casar e não compreende o porquê da sua decisão, se é um homem casado e, por vezes, salta-lhe à mente porquê é que se casou ou, se pelo contrário, o leitor é daqueles homens que pensa que CASAR NUNCA, este artigo é dedicado especialmente a si. Afinal de contas, porquê é que um homem se casa?
E, atenção, que aqui o termo ”casar” não tem que significar propriamente o casamento religioso ou civil. Neste artigo, é compreendido também pelo facto de duas pessoas se “juntarem” e decidirem ir viver uma com a outra.
São os jogos de futebol, são os “copos” com os amigos, são as miúdas, é toda uma liberdade e um descompromisso infindáveis. Geralmente, diz-se a quem se vai casar que vai para a forca, que vai perder toda a sua liberdade, enfim! Mas o que é certo e sabido (e mesmo com o crescente número de divórcios a aumentar) é que ainda há e, provavelmente, sempre haverá muitos homens a casarem-se. E acreditem que não é para perderem a sua liberdade ou só para terem comida e roupa lavada (e os interesses materiais/financeiros também não são para aqui chamados). Ainda quanto à comida e à roupa lavada, para esses, também há outras soluções. Há quem adopte pela empregada, há quem continue sob o auxílio dos pais, mas também e cada vez mais, há muitos homens modernos que cozinham, que tratam da casa e até dos filhos e que o fazem muito bem. No entanto, há muitos homens que se continuam a casar. Desta forma, porquê é que será?
Ao longo dos anos de vida, o homem procura sempre mais. Procura obter maior conhecimento, mais estatuto. Procura subir mais na carreira, procura alcançar mais sucesso, a ter maior estabilidade financeira, a ter melhores condições de vida, mais bens materiais. E coisas assim. Procura, por isso, satisfazer as suas necessidades físicas, as de realização, as de reconhecimento e de pertença a um grupo. Mas, ainda falta algo muito importante para se poder ser feliz: a ESTABILIDADE EMOCIONAL. Estabilidade esta que não se obtém somente com as relações fugazes e com as aventuras amorosas.
Mas, não pensem que é fácil chegar a esta estabilidade emocional. Depois de muito procurar e, finalmente, de encontrar a mulher dos seus sonhos (ou, pelo menos, pensa que é), há uma série de questões, de dúvidas e de medos que lhe assaltam a mente quando pensa em tomar a decisão para o grande passo. Por exemplo, pode ter medo em poder vir a desiludir-se e chegar à conclusão que, afinal de contas, ela não é a mulher dos seus sonhos. E, mais ainda, pode ter medo de conhecer outras facetas nela que revelem coisas que ainda não conhece e de que não espera. Podem vir a não se darem bem ou, simplesmente, podem não conseguirem entrosar as formas diferentes de verem as coisas e de estarem na vida. Isto, para não falar no medo da banalização da relação e do cair na rotina, de que tanto se fala.
Quando se namora é tudo muito bonito e o facto de não estarem 24 sob 24 horas juntos e de não terem que partilhar todos os seus hábitos e todas as suas rotinas pode ser um factor facilitador para que a relação continue “sob rodas”. Mas o homem (e também a mulher) é um ser exigente que nunca está satisfeito: quer-se sempre mais. O tempo que estão juntos não chega, querem partilhar mais coisas das suas vidas; e, então, começa-se a pensar no grande passo. E, mesmo com todos os riscos, vai-se em frente e consome-se a decisão.
Por outro lado, também há sempre a possibilidade de não se decidir pelo grande passo e poder continuar com a tranquilidade da relação própria da fase do namoro (“um mar de rosas”). No entanto, não se esqueça de que o homem é um ser exigente que quer sempre mais. E, por isso mesmo, ficar pelo namoro, ou seja, por um compromisso mais leve pode não ser a solução. Mesmo no namoro, a relação pode cair na rotina, pode-se conhecer facetas no outro de que não se gosta tanto (aliás, porque ninguém é perfeito) e a relação pode desmoronar à mesma por se ter estagnado ao não se querer avançar mais. E isto já para não falar de que não se chega a saber se as coisas teriam dado certo se se tivesse tentado.
Portanto, caro leitor, se pensa ter encontrado aquela mulher com quem gostaria de partilhar a sua vida e na qual vê companheirismo, cumplicidade, mas também amor, paixão e desejo, procure alcançar a sua estabilidade emocional e seja feliz. Afinal, “quem não arrisca, não petisca”. E quanto a poder não ser a mulher certa, não procure a mulher perfeita. Procure, antes, percorrer com ela o caminho para a perfeição.
Dra. Mónica de Sousa
Psicóloga Clínica
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